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A entrevista deste mês é com a muito simpática, e extremamente talentosa, Gabriela Gonzalez.

Gabriela possui uma técnica bastante apurada e consegue navegar em diversos estilos musicais diferentes, para não falar do fato de ser uma das melhores (entre as poucas) representantes das mulheres na guitarra instrumental brasileira, nos dias de hoje.

Ela, ao mesmo tempo em que dá aulas, escreve uma coluna em uma revista especializada em guitarra, toca frequentemente na noite paulistana, ainda encontrou tempo para preparar um material didático sobre leitura de música para guitarristas, a ser editado e publicado em breve.

Bom, vamos ver o que ela tem a dizer sobre esses assuntos...

Brblack.com – Então Gabriela...quando marcamos de fazer essa entrevista, há uma semana, lhe fiz uma espécie de desafio...falei que nunca tinha visto uma mulher tocando jazz na guitarra e você, cheia de humildade, me disse que havia outras...afinal quem são essas outras?
Gabriela - Nos anos 80, havia uma banda de musica instrumental feminina chamada Kali com a guitarrista Renata Montanari, professora da U.L.M. Às vezes eu faço um trabalho em duo com a Luciana Romanholi, formada em Tatuí, que, além de tocar bem, é minha amiga.

Brblack.com – Falando nisso, me vem a pergunta...quem é o foram seus heróis na guitarra?
Gabriela - Na verdade, prefiro não pensar nesta postura de “heróis”. Mas tem um cara que me emociona pelo seu swing e capacidade de criar verdadeiras melodias durante seus improvisos: WES MONTGOMERY. Gosto de muitos guitarristas, principalmente os brazucas: Heraldo, Helio Delmiro, Alemão, Renato Consorte... Mas, como ouvi muito Rock (e me orgulho disso, he, he...) posso citar: Ritchie Blackmore, Hendrix... Outro dia, na casa de um amigo, ouvi Ulrich Roth, um guitarrista que tocou no Scorpions na década de 70 e que eu curtia prá caramba, tinha me esquecido dele e foi bem legal ouvi-lo depois de anos...

Brblack.com – Na realidade, vamos começar no início...o que lhe levou para a música e como você começou?
Gabriela - O que me levou à música foi, aos onze anos, me apaixonar excessivamente por Heavy Metal. Comecei a fazer aula aos catorze anos com o Fernando Piu (Faz tempo he,he...), que me fez gostar de Blues e de Rock anos 70. Mas resolvi abraçar a carreira profissional quando entrei na U.L.M aos 22 anos, influenciada pelo meu professor Jonas Sant’Anna.

Brblack.com –
E depois de se tornar uma guitarrista, quais foram os principais trabalhos da sua carreira, até hoje?
Gabriela - Na verdade, o que eu mais faço é dar aulas. Como instrumentista, trabalhei em bandas de vários estilos desde Forró Universitário, Rock, M.P.B. até Blues, chegando a participar do Festival Internacional de Blues de Ribeirão Preto com as GoGoGrils Blues.

Brblack.com – Fora isso tem também as aulas que acabaram se tornando em um método (método é uma publicação didática de como tocar um instrumento), o que o pessoal pode esperar desse material que está no forno para sair? E quando ele deve estar nas lojas?
Gabriela - É um método de leitura para guitarra onde eu apresento as dificuldades do guitarrista em ler partitura, por motivo da estrutura do próprio instrumento, e a saída para superá-las. É diferente de todos os métodos de leitura. Eu proponho, em primeiro lugar, o posicionamento do guitarrista no seu instrumento através da análise da melodia e armadura de clave antes de iniciar a leitura da partitura. Além de um embasamento teórico, tem bastantes exercícios... Não vejo a hora de vê-lo editado.

Brblack.com – Fora o Jazz na noite paulistana, você tem também um projeto só de mulheres, certo? Quem são essas meninas, qual o estilo musical que vocês tocam e qual a previsão de shows?
Gabriela - Eu tenho um quarteto de música instrumental chamado UMADICADA que se apresentará no Teta (Teta Jazz Bar, em São Paulo) dia 18 de outubro, às 22:30. Neste show, além de Standards de Jazz e Música Brasileira, apresentaremos algumas composições próprias. Faço parte também do quinteto Dadá Cyrino and the Youngsters Blues, com a guitarrista Tatiana Pará. Vamos tocar no Casa da Sogra em Guaratinguetá dia 17 de novembro, além de uma temporada às quintas feiras de novembro no espaço municipal.

Brblack.com – Mudando de assunto, eu tenho notado que São Paulo está com uma cena bastante forte de musica instrumental, com alguns lugares para tocar, nos quais pode se ver muito artista bom tocando e com preços razoáveis (para o público), como você vê isso? Está mais fácil tocar ou os velhos problemas como, por exemplo, “as panelinhas” ainda estão ai?
Gabriela - Musica instrumental é um idealismo. Tenho certeza que a maioria dos músicos que se dedicam a este estilo trabalha em outros segmentos como aulas, bailes, casamentos etc. O público que aprecia Musica Instrumental tem crescido, mas será sempre uma elite num país como o Brasil, por uma questão histórico-cultural. As panelinhas não são um problema, e sim a falta de espaço, bares e casas para se tocar.

Brblack.com – Falando nessa “cena” forte de música instrumental, quem você tem visto tocar que você acha que ainda vai dar o que falar? Novos talentos...
Gabriela - Muita gente! Na U.L.M., onde eu me formei, vira e mexe eu me deparava com verdadeiros "geninhos".

Brblack.com –
Dentre esses lugares para se tocar música instrumental, alguma vez você acha que, o fato de ser mulher, atrapalhou a arrumar trabalhos? Ainda tem muito machismo no noite?
Gabriela - Ser mulher não atrapalha em nada, desde que você faça o seu trabalho de forma competente, claro.

Brblack.com – Para a galera que está começando, quais os seus conselhos, seja como guitarrista, seja como professora, para o pessoal evoluir e chegar a uma carreira musical?
Gabriela - Muito estudo e desenvolvimento da percepção melódica, harmônica e rítmica. Tocar com outras pessoas também ajuda muito...

Brblack.com – Onde o pessoal que lerá essa entrevista pode conferir seus trabalhos?
Gabriela - No Teta Jazz Bar, Rua: Cardeal Verde, em frente ao cemitério. Toda terça, das sete às dez. Apareçam!!!
Brblack.com – É, eu já fui, é um happy-hour bem bacana...

Brblack.com – Uma coisa que sempre me cobram por não perguntar aos entrevistados é com relação aos equipamentos que eles usam... então vamos lá...que equipamentos você usa hoje em dia?
Gabriela - Conforme o estilo que eu faço o equipamento varia. Guitarras: Gibson ES 135, Aria Pró semi-acústica com seymour duncan j.b. na ponte e uma Yamaha maciça. Pedais: Tube Screammer e Digital Delay da Boss. Pedaleira: Zoom 707. Amplis: Rock Pro 700 e Frontman 15, ambos da Fender.

Brblack.com – Bom, obrigado pela entrevista e se faltou alguma coisa que eu não tenha mencionado e que você considere importante de ser dito, o espaço é todo seu...

Gabriela - Quero lhe agradecer a força. Valeu Alê!!!!!!